Tarifas dos Estados Unidos sobre móveis brasileiros: o que sua empresa precisa saber

19/07/2026

Nos últimos dias, o governo dos Estados Unidos anunciou uma nova tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, entre eles boa parte dos móveis, com vigência a partir de 22 de julho de 2026. A medida foi adotada após uma investigação conduzida pelo governo norte-americano com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, utilizada quando os EUA entendem que determinado país adota práticas comerciais consideradas prejudiciais às empresas americanas.

O móvel brasileiro passará a pagar mais imposto?

Na maioria dos casos, não. Grande parte dos móveis brasileiros já vinha pagando uma tarifa adicional de 25%, aplicada anteriormente com base na Seção 232, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para proteger setores considerados estratégicos para sua segurança econômica e industrial.

Agora, a origem jurídica da tarifa mudou para muitos produtos, mas, para a maioria dos móveis que já estavam enquadrados na Seção 232, o percentual efetivamente pago permanece praticamente o mesmo: 25%. Isso ocorre porque a legislação aduaneira norte-americana possui regras que evitam, em diversas situações, a cobrança simultânea de duas tarifas da mesma natureza sobre o mesmo produto.

O que realmente mudou?

A principal mudança não foi o percentual da tarifa para quem já estava sujeito aos 25%. O que mudou foi: 

> Produtos que eventualmente não estavam abrangidos pela medida anterior podem passar a ser tributados;

> A política tarifária americana tornou-se mais ampla e mais difícil de ser revertida, pois agora envolve diferentes fundamentos legais;

> Permanece aberta outra investigação relacionada ao combate ao trabalho forçado nas cadeias produtivas internacionais, que poderá resultar em uma sobretaxa adicional de 12,5% para países, entre eles o Brasil. Caso essa medida seja efetivamente implementada e aplicada ao produto exportado, a carga poderá atingir 37,5%, dependendo do enquadramento definitivo estabelecido pelas autoridades norte-americanas.

Como isso afeta as empresas brasileiras?

Na prática, o produto brasileiro chega ao mercado americano mais caro. Quem paga a tarifa é o importador nos Estados Unidos. Entretanto, esse custo normalmente acaba sendo repassado ao consumidor ou reduz a competitividade do fornecedor brasileiro frente a fabricantes americanos ou concorrentes de outros países. Empresas que dependem fortemente do mercado norte-americano tendem a enfrentar maior dificuldade para fechar novos negócios, renegociar preços e manter margens de lucro.

Os números já mostram esse impacto

Os dados das exportações confirmam que o mercado norte-americano perdeu importância para o setor moveleiro gaúcho. Entre janeiro e junho de 2026:

> O Rio Grande do Sul exportou US$ 9,3 milhões em móveis para os Estados Unidos, contra US$ 19 milhões no mesmo período de 2025, uma redução superior a 51%;

> No Polo Moveleiro de Bento Gonçalves, as exportações passaram de US$ 4,6 milhões para US$ 2,7 milhões, queda de aproximadamente 40%.

Apesar dessa retração, o desempenho geral das exportações continua positivo graças ao crescimento das vendas para países da América Latina, especialmente Uruguai, Chile, Argentina, Peru, Paraguai, México e Guatemala.

O que recomendamos às empresas

Neste momento, a recomendação não é abandonar o mercado americano, mas sim atuar com maior cautela e planejamento. É importante que cada exportação seja analisada individualmente, verificando o enquadramento tarifário específico do produto (HTS/NCM) junto ao despachante aduaneiro ou ao importador nos Estados Unidos, evitando custos inesperados que possam comprometer a rentabilidade da operação.

Ao mesmo tempo, este é um momento oportuno para reduzir a dependência do mercado norte-americano e acelerar a diversificação das exportações. Os resultados recentes mostram que mercados latino-americanos continuam apresentando crescimento consistente e representam uma excelente oportunidade para ampliar negócios internacionais com menor exposição às atuais incertezas da política comercial dos Estados Unidos.

Associado, ficou com alguma dúvida? Ficamos à disposição pelo e-mail international@sindmoveis.com.br.